Longe vai o tempo em que os clubes se afirmavam apenas pela sua capacidade desportiva dentro de campo. Pela motivação e força gerada pelos adeptos que conseguiam mobilizar. Pelo brio e orgulho com que os atletas queriam vestir a sua camisola.
Com a industrialização do futebol, a partir de meados da década de 90, assistiu-se à troca do prestígio desportivo pela frieza contabilistica do resultado economico-financeiro.
Aos poucos, os adeptos tornaram-se "clientes". Alguns fizeram um esforço e conseguiram ser accionistas.
É o futebol moderno, em que tudo se compra e tudo se vende. Em alguns casos, até situações cuja contabilidade mais subterrânea não prevê.
Há por aí quem acuse as sucessivas leis Bosman, Ze-To, Webster de estarem a desvirtuar as equipas. Não concordo.
Com o advento desta modernidade, ganhou peso a figura do empresário, do agente. Esta figura é tão poderosa como qualquer milionário dono de clube (outra modernice).
O empresário faz equipas, mexe e remexe com quer no balneário. Desestabiliza. Sem prestar contas a ninguém. Ele faz a cabeça dos jogadores e consegue, qual ginasta no tapete ou nas paralelas, dar voltas e piruetas ora numa direcção ora noutra, sempre ao sabor da sua conveniência. É quem mais lucra neste estado anárquico. Sem custos... é tudo lucro. Sem regras nem principios. Sem escrúpulos.
Para evitar análises mais toldadas pela clubite que se possa ler nas entrelinhas, dou um exemplo neutro. Real Madrid e ManUtd são dois clubes pelos quais tenho simpatia. Os dois clubes estão envolvidos numa querela Ronaldo cujo único mentor é o empresário.
Ronaldo já é um dos jogadores mais bem pagos do mundo. Não me parece que o Real consiga pagar muito mais que o United. No aspecto desportivo, Ronaldo tem uma equipa a jogar para si, com um modelo de jogo que já conhece e com enorme e merecido sucesso colectivo e individual. O Real não será garantia de tanto sucesso desportivo.
Os valores de uma possivel transferência só servem a uma pessoa... o empresário. (Espero que o fisco esteja atento).
Consequência desta modernice, hoje há crianças de 12, 13 ou 14 anos que jogam nos infantis e já têm... o seu empresário. Já para não falar em situações mais escandalosas com crianças vindas de África e da América do Sul nessas condições.
Passando agora para o nosso Benfica, por mais que tente equilibrar a construção de uma equipa (como se vê na imagem), haverá sempre essa figura que nos tentará impingir os pongoles, os martins, os ribeiros e outros que tais. Figura?! Um chupista! Um figurão!
3 comentários:
se realmente o jogador pretender sair, quem o poderá impedir?
o ronaldo pode jogar onde bem entender...
E quantos jogadores os próprios empresários não destroem carregando-os de ilusões que depois acabam...com as suas próprias carreiras promissoras. ´
poder, pode.
mas creio que deve escolher onde tem maior vantagem economico-desportiva. logo, tá bem de ver que deve ficar onde está.
o Ricardo focou um aspecto fundamental. é uma verdade inconveniente...
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