Eu sou um simples adepto de futebol, calmo e ponderado que vou aos estádios e não causo distúrbios e tenho uma atitude positiva e encorajadora para a minha equipa e para os meus jogadores. Prova disso mesmo é que nunca me envolvi em confusões dentro e fora dos estádios.
Sou o que se pode dizer, e sem falsas modéstias, um adepto exemplar.
Apesar deste quadro geral, devo confessar que já me excedi, por poucas vezes, é certo, mas já me excedi. Já lancei alguns impropérios aos árbitros, aos assistentes, aos jogadores adversários, aos treinadores adversários, aos adeptos adversários, às tvs, aos jornaleiros, pasquins e paineleiros, aos dirigentes da Liga e da Federação ... aos meus treinadores, aos meus jogadores, ao coiso e ao coisinho, aos adeptos da minha equipa, ... ao tempo, à relva, às bandeirolas de canto, ... à falta de cerveja e sandes de courato nas
roulottes antes e depois dos jogos, ... e por aí fora... Mas foram poucas vezes...
Ah, e vá lá, muito menos vezes, passei os limites do "exceder" e larguei alguns "... filho da prostituta..." (nota que não utilizo o termo "puta"), "...estamos a ser espoliados..." (nota que não utilizo o termo "roubados"), "... gajo cuja esposa anda metida com outro do pénis..." (nota que não utilizo o termo "cabrão" e mantendo o nível elevado também não utilizo o termo "caralho", embora possa ser acusado da utilização do calão "gajo" atenuado pela elevação demonstrada na retórica anterior e posterior).
Devo acrescentar que esta confissão foi efectuada de livre vontade e sem ser alvo de nenhum tipo de coacção.
Mesmo assim, e apesar de todos os atenuantes, temo também eu ser castigado.
Amanhã vou à bola. Se me deixarem entrar, tudo bem. Caso contrário... estão todos f...
Nota: a linguagem utilizada é meramente ilustrativa e não pretende ofender quem lê nem quem comigo escreve neste espaço.